quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sant Jordi


Cheguei em Barcelona dia 23 de Abril. No hotel, ganhei uma rosa vermelha e quis saber o motivo: era dia de “Sant Jordi”.

“Diz a lenda que num reino havia um dragão que ameaçava a população. Para acalmá-lo, davam-lhe um animal – ovelha, vaca – por dia, para que o dragão não os importunasse. Quando acabaram os animais do reino, o rei juntou o povo e disse que eles iam ter que oferecer uma pessoa por dia ao dragão. Não vendo outra solução, todos concordaram. E assim foi, até o dia em que a filha do rei foi sorteada para o sacrifício. É claro que o rei quis barganhar com o povo, ofereceu ouro, cargos políticos, até contrato com a Petrobrás, mas o povo não aceitou. No dia seguinte, lá estava a princesinha, à espera do seu cruel destino, quando apareceu um cavaleiro que matou o dragão com sua lança; no lugar onde escorreu o sangue do dragão, nasceu um lindo roseiral. Sant Jordi (o corajoso cavaleiro) colheu a rosa mais linda e ofereceu à princesa, em sinal do seu amor.”

Por isso, no dia de Sant Jordi, as pessoas oferecem rosas vermelhas, umas às outras (e não apenas os enamorados).

No dia seguinte, visitando um claustro, havia uma fonte com uma escultura em bronze e meu marido perguntou: sabe quem é? Eu respondi que sim, que era o São Jorge, matando o dragão – São Jorge - dragão – dragão – Sant Jordi???!!!???

Pois!!!  Sant Jordi é o nosso São Jorge, aquele que “mora na Lua” (acho que o casamento com a princesa não deu muito certo não)!!!

Bom, fui pesquisar na Wikipedia e São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo: Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia e Moscou. Dia 23 de Abril é o dia da sua morte.

De acordo com a tradição, ele foi um padre e soldado romano no exército do Imperador Deocleciano. São Jorge é um dos santos mais venerados na Igreja Católica Romana, na Ortodoxa e na Anglicana, assim como na Umbanda, e é imortalizado no conto em que mata o dragão.

Existem várias versões deste conto – uma outra, que conta mais ou menos a mesma estória do dragão ameaçando a cidade e o sacrifício das donzelas, diz que se passou numa cidade da Líbia e que o rei oferecia a filha Sabra em casamento a quem matasse o dragão. “Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.”

A imaginação é fértil, não?


Barcelona



Queria muito conhecer Barcelona. A Barcelona de Vicky Cristina, é claro, e não a de Biutiful.
Fui em abril, comemorar meu aniversário. A primeira impressão da Praça Catalunha, no caminho aeroporto - hotel, foi de horror – parecia a 25 de Março no sábado (nunca fui lá no sábado, mas pela quantidade de gente que tem nas segundas feiras de manhã, dá prá imaginar…). Aí caiu a ficha de que era fim de tarde de sábado do feriado de Páscoa.

Há muito para ver em Barcelona: o Bairro Gótico e a Cidade Velha, um conjunto medieval maravilhoso, formado por um labirinto de ruelas antigas, onde está a Catedral (origem no século XIII), a Praça Real, o Palácio Major (residência dos reis catalãs), o Museu Picasso, a igreja gótica Santa Maria del Mar, entre muitas outras igrejas, museus, praças e construções igualmente lindas, além de lojas (livrarias e antiquários) e restaurantes.

La Rambla, a rua mais turística, com suas lojas e cafés nas calçadas, vai da Praça de Catalunya até o Monumento a Colón, já no porto e, no caminho, visita-se o mercado La Boqueria.
A Rambla de Mar, para fotos, um café, apreciar os barcos e o perfil da cidade - depois, seguindo o beira-mar, o Passeio de Barceloneta, com praias e bares, leva você à Vila Olímpica.
A Torre de Agbar (numa região bem feia da cidade), é um prédio bem estranho, que parece um supositório, mas aparece em muitos cartões postais da cidade.  À noite, as janelas mudam de cor, formando desenhos.
A cidade também tem um Arco do Triunfo com um lindo passeio arborizado, que vale a visita.


Aí, vamos às obras de Gaudi – no Paseo de Gracia (chiquérrimo), a Casa Milá (La Pedrera) e Casa Batló; ou a Sagrada Familia, a catedral que ficou inacabada, mas que eles ainda pensam terminar, tentando seguir o “estilo” Gaudi. Todas essas obras são apreciáveis por fora - se você quiser entrar, enfrente 2 horas de fila. Ou vá ao Parque Guell, projetado e executado por Gaudi, no seu característico estilo.
(Aqui, um parênteses: Gaudi é Deus em Barcelona. Não ouse desgostar de nada que ele criou – e se você achar que a Sagrada Família parece um castelo de areia molhada, daqueles que as crianças fazem nas praias, ou que tem um aspecto tétrico, guarde para si.)
Barcelona tem avenidas largas e arborizadas, e é bem gostoso passear pela cidade, com seus prédios de arquitetura espanhola marcante. Mas, como toda cidade turística, está, infelizmente, lotada de ……... turistas!!!
Mas, fazer o quê?? Finja que é um deles, e siga em frente!!!!

sábado, 19 de março de 2011

Fettunta










Meu marido vivia se lamentando de saudades da fettunta – que ele não comia desde que saiu da Itália.


Cada vez que ele via um forno a lenha na casa de alguém falava: “precisamos fazer uma fettunta aqui”. Mas nunca dava jeito…….

Até que, aproveitando o “calor intenso” (típico dos nossos Reveillons) que fez em Atibaia na virada do ano, fizemos a famosa fettunta na casa de Silvia e Walter.
Do italiano fetta (fatia )+ unta (untada), a fettunta é feita com pão italiano amanhecido, cortado em fatias que são mergulhadas em azeite com alho picado. Após escorrer, são levemente tostados num forno a lenha – saídos do forno, coloca-se uma fatia de salame milanês em cima.
A fettunta é “cozinha de pobre” – assim como a feijoada (feita com as partes do porco que não eram aproveitadas – pé, orelha, rabo, etc), a polenta e tantas outras delícias, surgiu da necessidade e da criatividade de quem não tinha dinheiro prá comprar “comida boa” para alimentar a família.
Quando sai a primeira fornada, você pega a sua e corre para comer escondido num canto, antes que você perceba que ficou sem e vai ter que esperar a próxima leva. Come-se um, dois , três, …. no décimo você começa a achar que já está exagerando, …. mas você só pára quando vê que aquela montanha de pão que você tinha preparado… já era!!!
Ah, é claro, comida para dias frios, acompanhado de um bom vinho tinto e ao lado de grandes amigos!

Carnaval


Eu juro que nem sabia que existia carnaval em Portugal.
Sempre chegamos aqui em março e esta é a primeira vez, desde então, que o carnaval não cai em fevereiro.
Obviamente que os carnavais daqui e do Brasil são coisas incomparáveis. Nada a ver com escolas de samba e passistas peladas, que é noticia aqui e no mundo todo. Aliás, há muito tempo que bailes em clubes e carnaval de rua foram substituídos pelos desfiles de escola de samba feitos prá televisão e pela muvuca na ruas – barulho, cerveja e muita pegação (será que estou ficando velha?).
Aqui, me lembrei dos carnavais da minha infância, onde a gente se fantasiava e ia prá rua jogar confete no vizinho. (É oficial: estou ficando velha!!)
Em Cascais, me disseram, havia um “corso”, mas faz tempo que parou de sair. Um dos poucos lugares que ainda mantem a tradição é Torres Vedras, cidade perto de Sintra, onde todos saem às ruas “mascarados” (aqui eles não se fantasiam, eles se mascaram), cantando antigas marchinhas, e onde o ponto alto são enormes bonecos que representam pessoas públicas, principalmente políticos – me lembrou o carnaval de Olinda (será que ainda é assim?).
Foi muito gostoso ver as crianças de super-heróis, ninjas, princesas e bichinhos, andando pelas ruas e curtindo suas fantasias.
Vejam que zebrinha fofa é a Carolina da foto.

Castanhas

















A primavera começa no dia 21, mas, depois de 3 meses de calor e muita chuva no Brasil, ainda pegamos um friinho gostoso aqui. Um pouco de chuva – afinal, ainda é inverno – mas já pegamos dias ótimos de sol.
O que me surpreendeu foi ver as barraquinhas de castanhas nas ruas.
Vamos começar do princípio:
Uma época que adoro aqui é quando o inverno vem chegando e as castanheiras ficam cheias – fico ansiosa porque sei que logo logo poderei comer castanhas assadas na brasa. Por € 1 compra-se 6 castanhas. Elas vem num saquinho duplo – num lado vem as castanhas, no outro, você joga as cascas. Uma delícia!! Pena que engorda tanto….
Fim de inverno e ainda se vê barraquinhas nas ruas – a safra foi boa e como sobrou bastante castanhas, os vendedores estão aproveitando o restinho de frio prá acabar com o estoque.
E tome esteira prá dar conta disso………

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Amsterdam













No começo de setembro fomos a Amsterdam - uma capital pequena e encantadora, toda cortada por canais (são 165 ao todo) e com 1281 pontes (algumas levadiças, que permitem a passagem de barcos maiores). É uma cidade plana, abaixo do nível do mar, e tem um sistema de diques e canais que impede que seja inundada.
A maior parte da cidade é de pequenos prédios grudados um ao outro – todos diferentes em largura, altura e formato (uma cidade feita de “lego”), mas que compõe um visual impressionante. Na verdade, esses pequenos prédios de apartamentos ou escritórios parecem se escorar para não cair – não são poucos os que cederam para o lado ou para a frente e só não caem porque o do lado não deixa.
São mais de 6.800 edifícios dos séculos XVI, XVII e XVIII, igrejas, 51 museus (Museu Rembrandt, Museu Van Gogh, Museu Anne Frank e até uma filial do Hermitage russo, entre outros). O Palácio Real estava todo enfaixado, passando por uma limpeza geral e por isso não o vimos direito.
Nada é de um colorido forte, mas a cidade é cheia de cores. Li num blog que você se sente em casa em Amsterdam – e é verdade. Talvez por ser uma cidade acolhedora, civilizada, aberta para todos, cheia de parques, com vida noturna, muita diversidade cultural, cafés e restaurantes.
Os canais são cheios de barcos, casas-barco e até casas flutuantes. Todos bem cuidados, com detalhes charmosos, sempre com muitas plantas e flores. Aliás, como eles tem um inverno rigoroso, imagino que manter e cuidar de flores nesta época seja um grande prazer. Cada janela tem um vaso de flor, cada pedacinho de terra está aproveitado, criando, às vezes, um minúsculo jardim onde até um banco ou cadeiras são colocadas para desfrutar o tempo quente e a vista da cidade.
Os happies e encontros acontecem nos cafés e bares à beira dos canais, mas também nos barcos que vão navegando com as pessoas a bordo bebendo e conversando, jantando, ou até cantando em pequenos barcos perigosamente apinhados de adolescentes (veja vídeo). Vimos também festas de casamento rolando nos barcos.
Amsterdam tem 738 mil habitantes e 600 mil bicicletas, que têm prioridade absoluta no trânsito. É impressionante como todos se movimentam de bicicleta, prá todos os lados e de forma alucinante, na maior velocidade (veja vídeo feito no sábado, quando o movimento era menor). Atenção é fundamental, principalmente para nós, incautos turistas. Muitas bicicletas são enfeitadas (flores ou fitas), pintadas, com bolsas laterais, caixotes ou cestas de palha, banquinhos; algumas puxam ou empurram carrinhos para crianças; as pessoas levam compras, flores, crianças, pastas, quadros; andam de terno, salto alto, minissaia, capas, e até com guarda-chuvas abertos quando chove pouco (não imagino como seja o uso das bikes no inverno ou debaixo de aguaceiros), falam ao celular, conversam com alguém andando ao lado e dão carona. Vimos muitas as bicicletas abandonadas pela cidade – não sei se as pessoas compram novas e largam essas ou não se lembram de onde as pararam e elas ficam esquecidas para sempre.
No sábado, havia muitas pessoas fantasiadas pelas ruas (diabos, coelhinhas, anjos, caras pintadas, etc.) – não sei se estavam indo ou voltando de alguma festa, se era um festival, ou o dia nacional de se fantasiar ou ainda apenas porque era sábado e ainda era verão!!
No fim de semana bebe-se muito. Já na 6ª os mercados vendem caixas e caixas de cerveja, numa reposição louca. E, no sábado à noite, ruas movimentadíssimas, todo mundo fora de casa, jantando e tomando cerveja.
E, é claro, passamos pelo Red Light District, ou o Bairro das Putas. As casas tem luz vermelha na porta, vitrines com cortinas, que ficam fechadas quando se está trabalhando ou abertas, para exposição da mercadoria. Algumas moças (melhor seria “velhas”) muito feias e gordas, mas também muitas mulheres bonitas e gostoooosas (como diria meu marido), em reduzidos shortinhos ou biquínis.
Não vimos os diques, não vimos as famosas tulipas, não vimos moinhos, não compramos tamancos e não fumamos haxixe nos “coffee-shops”, onde é tolerado o consumo consciente da erva (até 5g por pessoa). Mas também não vimos um único pobre ou pedinte nas ruas e curtimos MUITO esta cidade charmosa e acolhedora.


Costa linda e tempo feio













Alugamos um carro e saímos na 4ª feira passada em direção ao sul, para rever (ou ver novas) as praias da Costa Vicentina (do Alentejo). São praias lindíssimas e pouco frequentadas porque além de estarem em zonas de proteção ambiental, suas águas são geladas – os complexos turísticos estão no Algarve (sul de Portugal), onde as águas são quentes, ajudadas pelas correntes do Golfo do México, que não se lembrou de incluir a costa oeste do país.
Mas, incomum para essa época, havia previsão de chuva para todos os dias, começando já na 4ªf em Lisboa e descendo para o sul. Mudamos os planos e fomos direto pro Algarve onde, não sendo mais temporada, e evitando-se grandes cidades (Faro, Portimão e Lagos), podia-se curtir ainda cidades gostosas e tempo bom. Ficamos uma noite em Olhão e outra em Alvor, pautando nossa viagem pelo céu, indo atrás de onde estivesse claro e fugindo de nuvens escuras. Vimos muitas praias bonitas, enormes condomínios de ingleses aposentados e comemos ótimos peixes em restaurantes pequenos, caseiros e baratos.
Na 6ª, como tínhamos que voltar, começamos a subir a costa do Alentejo e ainda aproveitamos uma boa parte do dia, vendo praias pequenas, com falésias e pedras coloridas, seguindo o caminho pela estradinha junto à costa, antes que a chuva finalmente nos alcançasse e nos seguisse o resto da viagem de volta.
Sabíamos que tinha chovido bastante e que Lisboa tinha tido sérios alagamentos, mas não imaginávamos o temporal que ia cair à noite. Vento forte e maré alta fizeram um estrago enorme no Paredão, o caminho de 3km que bordeja a costa, indo de Cascais até São João do Estoril.
O mar avançou pelo caminho, arrancando as beiradas de pedra, os pisos, as grades de metal, vergou bancos, arrancou portas de aço dos banheiros, destruindo vasos e pias, invadiu bares e restaurantes, e deixou quilos de areia na pista, além de cobrir ou quebrar acessos às praias. A prefeitura já limpou o espaço e retirou o entulho, mas ainda tem que consertar os estragos. Ainda bem que era o último dia da exposição de esculturas (http://www.cascaisatlantico.org), pois muitas obras foram destruídas.
Mas o Paredão já está voltando ao normal e o sol, brilhando de novo.

República, Corrupção e Eleições

Dia 5 de Outubro foi feriado aqui em Portugal, comemoração dos 100 anos de República. Teve teatrinho na praça, hino tocado pela bandinha e prefeito hasteando a bandeira. Mas Portugal está até as tampas de problemas, com o FMI batendo às portas e previsões catastróficas de recessão pelos próximos 5 anos.
O primeiro-ministro, um cara de pau de primeira, continua falando de construções megalômanas (novo aeroporto, quando o que existe acabou de ser aumentado e é sub-utilizado, TGV para Madrid, quando as estradas de ferro precisam de renovações e modernizações urgentes, e 3ª ponte sobre o Tejo, um custo monumental mas faz parte do pacote TGV até Lisboa), continua criando órgãos desnecessários (com diretorias e mordomias), e lança um Plano para acerto da economia onde, é claro, o coitado do contribuinte é quem vai pagar a conta. Cortar despesas, cortar órgãos ineficientes, não trocar os carros de apenas um ano dos marajás, eliminar supérfluos, apertar o cinto, cancelar projetos que já estão”acordados” com empresas e com comissões definidas???? NEM PENSAR!!!
É claro que, no Brasil, o primeiro-ministro português mal passaria de um reles estagiário, pois teria muito – ou tudo – para aprender. E, é claro que seria injusto comprar a corrupção daqui (onde as pessoas se vendem por 5 ou 6 mil euros) com a daí. E com a pequena economia portuguesa, os montantes nunca chegariam perto do que os partidos e parlamentares brasileiros conseguem. Mas corrupção é corrupção e é sempre bom mantê-la longe.
Esta eleição, no Brasil, foi a primeira em que não votei. Mas acompanhei de perto os furos dos institutos de pesquisa (quanto será que eles recebem?) que indicavam Netinho e Marta para o Senado por SP, quando o povo na verdade elegeu Aloysio em 1º lugar e davam a Dilma levando no primeiro turno, quando não foi isso que aconteceu. E o Lula? Que tinha certeza de que teria “coroado” seu governo e sua pessoa, pois afinal, ele não tem 80% de aprovação (quanto será que esta pesquisa custou?)???? Ele não é o rei do Brasil??? Com este resultado, ele deve ter enchido a cara e batido na patroa!
Aqui em Portugal a cobertura das eleições foi grande e destacada, mas morri de vergonha quando passaram mais de 2 minutos com a propaganda do Tiririca. Pelo menos a análise do comentarista foi correta, falando que, além de ser um voto de protesto, era – o que ele chamou – uma “barriga de aluguel”, ou seja, uma pessoa popular que angariaria votos suficientes para eleger mais deputados para a legenda.
Não vai ser fácil ganhar da “boneca de ventríloquo” do Lula, embora as coisas estejam mudando do 1º turno prá cá, e muita gente está falando do Lula o que não falava antes e as pesquisas estão apontando isso (se estiverem corretas). Mas se a Dilma ganhar não vai ser de lavada como eles esperavam. E o Serra tem que parar com esse bom-mocismo de que ele se revestiu (e que lhe soa falso) e partir prá briga feia e começar a defender os governos de que participou. Não adianta todos brigando por ele, e ele com cara de paisagem…..
Vocês viram a entrevista do Itamar Franco na UOL (10/10)?. Segundo ele, “Lula não é democrata, pois um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.” Perguntado sobre o Senado que vai encontrar, Itamar disse “Um Senado subjugado pelo Executivo. A interferência do presidente é a todo instante, em tudo, até em questões internas.” Fez ainda dois comentários certeiros e devastadores: “Lula tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados” e “… ele acha que só ele sabe o que é bom para o país…..ele tem que parar de falar em ‘nunca antes neste país’. …. o Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil. Do jeito que as coisas vão, o Lula vai dizer que quem abriu os portos foi ele, não d. João VI.” Essa o Lula vai ter que perguntar prá algum assessor prá entender a piada!!! E também prá perguntar quem é esse tal de “João Cesto”!!!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Festas do Mar II














Falei das Festas do Mar numa das minhas primeiras postagens.

Final de agosto, alto verão (este ano com uma lua cheia linda!), turistas, comidas típicas, shows, fogos de artifício.

Mas a Festa está bem diferente da primeira que vi aqui, perdendo a característica de “festa do interior”. Reduziram a quantidade de barraquinhas de comida e aumentaram a quantidade de shows - agora são 2 por noite. O que deveria ser bom, mas não é. Pois a maior parte é de bandas de rock português – muito barulho, letras horriveis e zero de melodia. Com exceção do Fado, nenhuma musica portuguesa é conhecida fora do pais.

Para sobreviver, as bandas vivem de fazer digressoes (turnês), sempre a convite das Câmaras Municipais (Prefeituras). Se fossem vender ingressos para shows acho que não iria ninguém. Como em Cascais, diversas cidades promovem festas com shows de artistas, pagando “um galão, uma tosta e o dinheiro do auto-carro” ou, em brasileiro “um copo de café com leite, um pão com manteiga e o dinheiro do ‘busão’”.

Até o Toni Carrera, rei da musica pimba (brega), é estrela propaganda de uma grande rede de supermercado, que patrocina shows dele em grandes eventos, com entrada franca.

Mas, além das bandas de rock, tivemos 2 noites com fadistas e, ponto alto da festa, JOSÉ CID!!!! A praça, a praia, as ruas estavam LOTADAS de portugueses!!!!

Ele entra no palco de bata, echarpe no pescoço, óculos escuros, um puta barrigão e uma peruca comprada na 25 de março (que pelo menos não era preto graúna, mas grisalha como o - pouco - cabelo dele), senta-se ao piano, que tem um candelabro de cristal em cima, e mostra que é o ELTON JOHN português!!!

O público vai à loucura………………..

Todos (menos eu e meu marido) cantam as suas músicas, das criancinhas sentadas nos ombros dos pais às velhinhas que chegaram cedo e pegaram lugar na fila do gargarejo.

Mas ele realmente é simpático e divertido, canta bem, tem músicos ótimos e, além das baladinhas romanticas portuguesas, canta versões de sucessos estrangeiros (Paul Anka, Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, etc.) – veja o video com “O Vira”.

E este ano tivemos 3 shows brasileiros!!

Daniela Mercury (que eu não gosto), Papas da Lingua (que eu nunca tinha ouvido falar) e Martinho da Vila (que eu……bem, Martinho da Vila é Martinho da Vila e você, goste ou não, ache brega ou não, vai cantar junto – é só começar a música que centenas de pezinhos brasileiros – incluindo os meus – começam a sambar).

Mesmo que você não curta nada disso, não dá para não se divertir com as crianças enlouquecidas atrás dos balões coloridos, não dá para não aproveitar a noite gostosa e a lua linda, e não dá para não ver a queima de fogos, que é sempre linda!! (veja vídeo)


Madrid












Fomos à Madrid no final de Julho. Calor insuportável, só dava para andar à sombra. Mesmo após as 18hs ainda enfrentávamos um calor forte (39º). Muitas vezes recorremos ao metro, que leva você a qualquer lugar (aliás, é TÃO civilizado chegar no aeroporto e ir de metro para seu hotel!!).

Madrid tem muitos lugares bonitos para visitar, e andar pela cidade é muito gostoso. Muitas praças, parques, museus e prédios art-noveau & art-deco em abundância.

Andar pela Gran Via já dá mostra do quanto a cidade tem a oferecer. Principal avenida, a Gran Via está fazendo 100 anos (veja história, prédios, fatos e fotos em http://granvia.esmadrid.com).

Principais pontos: Palácio Real, Museo del Prado, Museo Reina Sophia, Plaza Mayor, Jardim Botanico, Praça das Cibeles, etc.

Visitamos também o Templo de Debod, santuário dedicado aos deuses Amon e Ísis - construído há 2 mil anos e doado pelo Egito à Espanha em 68, foi remontado e inaugurado em 72, no meio de um parque alto, com vista sobre parte da cidade.

Comer tapas e bocadillos e tomar cañas (chopp) faz parte da cultura local, fácil e rapidamente adotada por nós, mas, de preferência, fora dos lugares turísticos.

Outro lugar que não se pode deixar de visitar é o Parque Sabatini – um parque muito grande, com um lago enorme, muitas flores, plantas, fontes e estátuas e dois palácios: o de Cristal e o de Velasquez.

Passeando por este parque, fomos convidados a participar de um programa matinal da televisão espanhola (algo como, imagino, Ana Maria Braga). Na verdade, fomos convidados a degustar algumas frutas, o que aceitamos prontamente - mas isso estava condicionado à participação na emissão ao vivo, que iria falar da importância do consumo de frutas na dieta diária. Mas, por aquelas enormes e deliciosas cerejas, figos, melancia, melão, pêssegos, etc., valia a pena pagar esse mico!!!

Barraquinha montada, alguns turistas arrebanhados no parque e era só, ao sinal, avançar (com educação) nas frutas, enquanto o apresentador ia entrevistando algumas pessoas – fugi do apresentador, mas fui pega num momento de distração (ou gula) e tive que responder a perguntinhas tipo de onde eu era, se eu gostava das frutas, etc,. etc.. Perguntas em espanhol e respostas em bom e sonoro português já que, como já disse, não falo “portunhol” nem que a vaca tussa. Márcia Pires Pogliani arrasando na TV espanhola!!!

O ponto triste da viagem foi ver, em consequência da crise, muita gente ferrada nas ruas, ou vendendo bugigangas, ou oferecendo serviços (tipo massagem) aos turistas, ou apenas mendigando e dormindo nas ruas.

Na Plaza Mayor tinha todo tipo de cantores, músicos, performáticos, pedintes, etc. O que mais me chamou a atenção foi um homem vestido de Homem Aranha – gordo, barrigudo, com uma fantasia que era uma malha, camiseta e máscara vermelhas, desenhadas a mão com caneta Pilot e que pedia dinheiro para posar para fotos em que ele fazia “poses” – seria cómico, se não fosse trágico!!

Mas a crise passa, e a Espanha continua na nossa preferência (ainda não conheço Barcelona!).

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Valencia














Continuando nossa saga espanhola, no começo do mês fomos a Valencia e ficamos apaixonados. Valencia é linda – o centro histórico é gracioso, muitos monumentos e construções belíssimas (catedral, mercado, estação de trem maravilhosa, com azulejos, mosaicos e vitrais). A cidade é bem servida de transporte público (ônibus, metrô e tram) e tem uma grande ciclovia. Nosso hotel ficava num bairro novo, perto do Palácio dos Congressos, avenida larga, arborizada e florida, cheio de prédios novos, residenciais e de escritórios, além de vários hotéis. Valencia tem também uma grande e bonita Cidade Universitária.

O ponto alto da cidade é o antigo leito do rio Turia, hoje seco e transformado em parque; corta a cidade e a enche de verde. Este rio foi desviado depois de grande inundação em 1957 que vitimou uma centena de pessoas e alagou a cidade. Tem quase 10 km e é atravessado por mais de 15 pontes, algumas do XVI (veja o site http://www.culturia.org).

Além de espaço para crianças, os Jardins do Turia tem pista de corrida, caminhada e de bicicleta, quadras de esportes, salas de exposições, auditórios abertos e, às suas margens, museus (Museu de Belas Artes) e centros culturais, o Palácio da Música e a Cidade das Artes e Ciências, inaugurada em 98 – moderno e belíssimo complexo arquitetônico, dedicado à divulgação científica e cultural, composta por 5 elementos principais: o Hemisfèric (planetário), o Umbracle (jardins com plantas selvagens ), o Museu das Ciências Príncipe Felipe (centro de ciências interativo), o Oceanográfic (aquário) e o Palácio das Artes Rainha Sofia (programação de ópera).

É claro, tem também a área do porto, com construções mais antigas e características e a praia, com hotéis e restaurantes, onde se pode comer a famosa paella valenciana - com vista para o mar.

Em Valencia, todas as placas são escritas em 2 línguas: o espanhol e o valenciano (que, muitas vezes, lembra o francês). Exemplos: Dejen sslir / Deixeu eixir ou Salida de socorro / Eixida de socors.

Pontos negativos: tem muito mosquito – e nem era ainda alto verão – uma amiga que morou lá disse que tem muita barata (ainda bem que não vi nenhuma).

Outro ponto é o famoso horário deles, que não combina com o nosso – cuidado para não perder a hora do almoço (fecham tudo para a siesta) e não invente de jantar cedo, porque 20/20:30hs eles começam a arrumar as mesas para o jantar.

Playboy em Portugal









A Playboy portuguesa começou a circular apenas em abril de 2009 e logo logo começaram a aparecer artigos reclamando do “pouco” que mostravam – afinal, é ou não é uma revista masculina??? E eles queriam ver aquilo que realmente interessava!!!

Veja comentários em alguns blogs sobre a revista:

“Portugal continua a ser um país pudico. E é por isso que a falta de ousadia na capa do primeiro número da Playboy portuguesa não me surpreende: optaram sensatamente por uma imagem mais suave que não ofende o nosso apurado sentido do pudor”.

“As fotos são bastante sensuais e sexys, apesar de Mónica Sofia não aparecer completamente nua”.

“Rita Mendes é a capa do quarto número da Playboy Portuguesa. A ex-apresentadora fez um ensaio fotográfico bem sensual para a revista e, embora não apareça completamente despida, mostra muita coisa”.

E, ao contrário das brasileiras, são poucas as portuguesas que querem ficar nuas – esse é outro problema: dificuldade para arranjar mulheres dispostas a rechear as páginas da revista por uns trocados. Digo trocados porque o preço base são 800 euros – repito 800 euros!!!

Essa foi a quantia que ganhou uma professorinha de Mirandela em Trás os Montes (lá bem no perdido interior atrasado de Portugal), que foi afastada de suas funções de professora de música na escola primária e enviada para o arquivo municipal (com a promessa de não ser recontratada para o próximo ano letivo), depois de sair na edição de maio da revista. Ganhou até um grupo de apoio no Facebook, mas não foi perdoada.

Sim, concordo que ela tem o direito de fazer o que quiser, mas também acho que em certas profissões você tem que manter a compostura. A Xuxa, depois que começou a trabalhar com crianças na TV, tentou e tenta ainda hoje comprar os exemplares nas mãos de colecionadores de quando foi capa da Status, Ele e Ela e Playboy (tarefa impossível, pois todo o material está na internet).

Duvido que tenha chegado alguma revista Playboy lá em Mirandela – como será que a direção da escola descobriu? Algum pai “antenado” mandou vir de Lisboa e foi pedir autógrafo prá ela na porta da escola?

Bruna Real, a pelada, disse: “O que eu fiz foi apenas tirar umas fotos e não vejo por que não posso voltar a dar aulas. Eu não fiz mal a ninguém”. Ela ganhou o equivalente a um mês de salário mas, é claro, o objetivo era alavancar-se para o trinômio atriz / modelo / apresentadora!!! Na sequência da polêmica fez um outro ensaio sensual e mudou a fala: “.....sinto estar perto de concretizar o meu sonho de ser modelo fotográfico. Ao posar nua para a Playboy perdi algumas coisas, mas ganhei muitas outras. Não me arrependo de nada do que fiz.”

Acabei de ler uma notícia aqui (não sei se verdadeira) que diz que a Cléo Pires vai posar na Playboy por 450 mil euros. Quanta diferença, né?

Se tivesse uma Playboy Sênior, ou Playboy 50ona, eu também posava.

Por 450 mil euros, numa praia linda, com coqueiros, sol, águas deslumbrantes e MUITO photoshop!!