sexta-feira, 18 de novembro de 2011

The High Line

Já estive várias vezes em NY, mas a última vez foi há mais de 5 anos. Fui no começo de julho, para o casamento do filho da Solange, amiga querida!!
Nova York é uma cidade gostosa e fácil de andar e, não importa quantas vezes você a visite, vai sempre se encantar e percorrê-la de cabo a rabo, vai visitar os mesmos lugares e até passar pelos pontos turísticos óbvios (Central Park, Empire State Building, Times Square, etc.).
Só que, desta vez, eu tinha algo novo para conhecer: The High Line Park

Localizado nolower west side” de Manhattan entre a 10ª e 11ª Avenidas, o High Line é uma antiga ferrovia elevada, convertida num parque urbano. Com 1.6 km vai da Gansevoort Street (pouco abaixo da 12th) até a 30th (com proposta de ir até 34th Street).
De um lado vê-se o Meatpacking District (epicentro de atividades culturais e artísticas, vida noturna, restaurantes e música) e o Hudson River, e, do outro, a cidade inteira. São imagens inesperadas de uma cidade normalmente olhada de baixo para cima.




O parque é repleto de jardins com variadas espécies de plantas e flores, espelhos de água, cadeiras e arquibancadas para tomar sol, fazer pic-nic e apreciar a paisagem, bares e restaurantes. Um verdadeiro Jardim Suspenso no meio da cidade!!



Vamos a um pouquinho de história:
Em 1847 foram colocados trilhos nas ruas do maior distrito industrial de Manhattan para a passagem de trens de carga, mas, apesar da sinalização com homens a cavalo com bandeiras, foram muitos os acidentes ocorridos, e a 10th Avenida ficou conhecida como “Avenida da Morte”. Para interromper isso, foi feito um acordo, em 1929, para a construção de uma ferrovia elevada (High Line). Inaugurada em 1934, foi desenhada para passar no meio dos quarteirões, conectando fábricas e armazéns, permitindo que os produtos pudessem ser transportados sem atrapalhar o trânsito nas ruas.

O crescimento do transporte rodoviário nos anos 50 fez cair a utilização da ferrovia e o ultimo trem circulou na linha em 1980.
Na metade dos anos 80 surgiu um lobby pela demolição da estrutura (a ferrovia estava em total abandono), mas não teve sucesso. Em 1999 os vizinhos da High Line começaram uma campanha para sua preservação e utilização como espaço público aberto – o projeto foi angariando patrocinadores, até que, em 2002, ganhou o suporte da prefeitura e a construção do parque começou em 2006.

A parte sul do parque (até 20th Street) foi inaugurada em Jun09 e a central (até a 30th Street) em Jun11.

(se quiser saber mais, vá para www.thehighline.org)

Munique

Munique é uma festa!!!
Terceira cidade da Alemanha (atrás de Berlim e Hamburgo), é a capital da Baviera, a região mais descontraída do país. Basta dizer que é a cidade onde nasceu a Oktoberfest!!!

Nossa ideia era ir a Berlim (ficou prá depois), mas decidimos por Munique e não nos arrependemos. Quase fim de verão, todo mundo na rua, lotando bares e restaurantes!!! Bebendo muita cerveja!!! Comendo muito bratwurst (salsicha frita)!!!
As pessoas são muito simpáticas e gentis e mesmo os que só falam alemão se esforçam para entender os turistas – mas a cidade só tem informações em alemão – nenhuma plaquinha em inglês. Na hora de escolher o tipo de cerveja não havia problema: era só apontar, e a que viesse era ótima!!

Além da cerveja e das wursts (de todos os tipos e tamanhos, mas todos ótimos) Munique tem outras coisas para serem apreciadas: seu centro histórico, prédios, museus, teatros, praças, pinacotecas, palácios – no centro, várias ruas só para pedestres concentram lojas e restaurantes, culminando na Marienplatz, o coração de Munique, com a Antiga e a Nova  Prefeitura (Neues Rathaus), grande palácio em estilo neogótico, com restaurantes no seu jardim interno e o famoso relógio com carrilhão, que atrai turistas.

Vale lembrar que metade de Munique foi destruída na guerra, e vários monumentos, prédios e igrejas foram totalmente reconstruídos, como a imponente Catedral  St Michel (todos exibem fotos de como eram, e no pós-guerra).
Os artistas de rua são bem interessantes – a maior parte é de músicos (nada de malabaristas e palhaços), e tocam música clássica!! Vimos até um quarteto que cada noite estava num canto da cidade, formado por violino, flauta, violoncelo e – acreditem – piano de cauda!!!
Na minha infância, no Carnaval, uma das fantasias preferidas era a de tirolês (o nome vem do Tirol na Áustria, mas o traje também é usado na vizinha Baviera) – calça curta de couro com suspensório, camisa branca, polainas e chapéus com penacho para homens e vestido preto com camisa branca de mangas bufantes, e aventais coloridos e bordados para as mulheres. Vocês acreditam que muitos se vestem assim para sair na rua???? Sem ser dia de festa, ou de carnaval, ou de quermesse, ou de baile à fantasia??? Pois eles saem, e orgulhosos dos seus trajes!!  (inclusive são várias as lojas que, além das roupas “normais”, vendem os trajes típicos). Bom, as baianas na Bahia também vendem acarajé vestidas de baianas!!!


Cortando Munique, o rio Isar (afluente do Danubio) faz parte da vida da cidade. Tem partes canalizadas, que formam “praias” rasas, onde o pessoal toma sol e aproveita o verão.


No fim de semana que lá estivemos, havia o Festival do Rio Isar (uma pequena prévia da Oktoberfest), com muitos shows e barraquinhas de cerveja e bratwurst (vocês repararam quantas vezes falei de cerveja e wurst nessas poucas linhas????)
Margeando o rio, existe o parque Englischer Garten, muito grande e bem cuidado, com atividades para todos os gostos: de jogos infantis a pistas de corrida, ciclovias e grandes gramados, além dos canais do rio Isar, que recortam todo o parque. E, como quem não tem cão, caça com gato, eles fazem surf no rio, adaptado para tal (veja vídeo).



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domingo, 13 de novembro de 2011

Lyon









Lyon é a terceira cidade mais populosa da França (atrás de Paris e Marseille) e é dominada por duas colinas: Fourvière (onde a cidade foi fundada e onde se encontra a Basílica de Notre Dame de Fourviere) e Croix Rousse. No meio das duas colinas passa o rio Saône, mas a cidade ainda é cortada pelo Rhône, ou seja, duplo encanto em dois beira-rio, com pontes e prédios antigos para serem apreciados. A cidade é muito graciosa e vale a pena passear por suas praças e ruelas, lojas e restaurantes e provar os pães e croissants das boulangeries.
Em Lyon foi construído o primeiro funicular do mundo (1862) e a sua Place Bellecour é uma das maiores praças para pedestres da Europa.
Lyon se auto-denomina  a capital gastronómica do mundo (modéstia pouca é bobagem!!) e é a cidade natal de Paul Bocuse, renomado “chef” francês -  o mercado municipal da cidade (Les Halles Paul Bocuse) tem seu nome e é onde ele pode ser visto a fazer suas compras de domingo – são 60 lojas que vendem  queijos, pães, verduras, legumes e frutas, vinhos, ostras, trufas, peixe, carne, caviar, doces e chocolates e várias delas possuem restaurante anexo, onde você pode saborear as especialidades da casa – é de enlouquecer vista, olfato e paladar (nenhuma queixa quanto à modéstia deles!!!).

Toulouse








Uma das maiores cidades da França, Toulouse situa-se no sul do país, não muito longe da fronteira espanhola, e, por isso, tem uma grande influência catalã (todos os nomes das ruas são escritos nas duas línguas), e realiza, até, um Festival de Flamenco.
Cortada pelo rio Garonne, a cidade possui passeios arborizados ao longo do beira-rio, e várias pontes (St Pierre, Neuf, St Michel) belíssimas. A partir de Toulouse, e utilizando o Garonne, foi construído, no século XVII, o Canal du Midi, com 240 km até o Mar Mediterrâneo, fazendo, assim, a ligação Mediterrâneo / Oceano Atlântico, onde o rio desemboca. Esse canal artificial, o mais antigo da Europa ainda em funcionamento, foi projetado para transportar mercadorias, evitando a navegação em águas abertas (o Estreito de Gibraltar e o contorno da Península Ibérica). Em 1996 foi classificado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e, hoje em dia, tem função exclusivamente turística.
As principais praças da cidade são Wilson e Capitólio, cercadas de restaurantes e bares, onde pode-se comer o prato típico da região - crepe com cidra (pro meu gosto, mas vale um copo de vinho rose da região ou uma caneca de boa cerveja).
Os pontos principais de visitação são a Basílica de Saint Sernin (a maior igreja românica do mundo) e a catedral de St Etienne. Mas o gostoso mesmo é perambular pelas ruas e curtir esta cidade encantadora e cultural.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sant Jordi


Cheguei em Barcelona dia 23 de Abril. No hotel, ganhei uma rosa vermelha e quis saber o motivo: era dia de “Sant Jordi”.

“Diz a lenda que num reino havia um dragão que ameaçava a população. Para acalmá-lo, davam-lhe um animal – ovelha, vaca – por dia, para que o dragão não os importunasse. Quando acabaram os animais do reino, o rei juntou o povo e disse que eles iam ter que oferecer uma pessoa por dia ao dragão. Não vendo outra solução, todos concordaram. E assim foi, até o dia em que a filha do rei foi sorteada para o sacrifício. É claro que o rei quis barganhar com o povo, ofereceu ouro, cargos políticos, até contrato com a Petrobrás, mas o povo não aceitou. No dia seguinte, lá estava a princesinha, à espera do seu cruel destino, quando apareceu um cavaleiro que matou o dragão com sua lança; no lugar onde escorreu o sangue do dragão, nasceu um lindo roseiral. Sant Jordi (o corajoso cavaleiro) colheu a rosa mais linda e ofereceu à princesa, em sinal do seu amor.”

Por isso, no dia de Sant Jordi, as pessoas oferecem rosas vermelhas, umas às outras (e não apenas os enamorados).

No dia seguinte, visitando um claustro, havia uma fonte com uma escultura em bronze e meu marido perguntou: sabe quem é? Eu respondi que sim, que era o São Jorge, matando o dragão – São Jorge - dragão – dragão – Sant Jordi???!!!???

Pois!!!  Sant Jordi é o nosso São Jorge, aquele que “mora na Lua” (acho que o casamento com a princesa não deu muito certo não)!!!

Bom, fui pesquisar na Wikipedia e São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo: Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia e Moscou. Dia 23 de Abril é o dia da sua morte.

De acordo com a tradição, ele foi um padre e soldado romano no exército do Imperador Deocleciano. São Jorge é um dos santos mais venerados na Igreja Católica Romana, na Ortodoxa e na Anglicana, assim como na Umbanda, e é imortalizado no conto em que mata o dragão.

Existem várias versões deste conto – uma outra, que conta mais ou menos a mesma estória do dragão ameaçando a cidade e o sacrifício das donzelas, diz que se passou numa cidade da Líbia e que o rei oferecia a filha Sabra em casamento a quem matasse o dragão. “Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.”

A imaginação é fértil, não?


Barcelona



Queria muito conhecer Barcelona. A Barcelona de Vicky Cristina, é claro, e não a de Biutiful.
Fui em abril, comemorar meu aniversário. A primeira impressão da Praça Catalunha, no caminho aeroporto - hotel, foi de horror – parecia a 25 de Março no sábado (nunca fui lá no sábado, mas pela quantidade de gente que tem nas segundas feiras de manhã, dá prá imaginar…). Aí caiu a ficha de que era fim de tarde de sábado do feriado de Páscoa.

Há muito para ver em Barcelona: o Bairro Gótico e a Cidade Velha, um conjunto medieval maravilhoso, formado por um labirinto de ruelas antigas, onde está a Catedral (origem no século XIII), a Praça Real, o Palácio Major (residência dos reis catalãs), o Museu Picasso, a igreja gótica Santa Maria del Mar, entre muitas outras igrejas, museus, praças e construções igualmente lindas, além de lojas (livrarias e antiquários) e restaurantes.

La Rambla, a rua mais turística, com suas lojas e cafés nas calçadas, vai da Praça de Catalunya até o Monumento a Colón, já no porto e, no caminho, visita-se o mercado La Boqueria.
A Rambla de Mar, para fotos, um café, apreciar os barcos e o perfil da cidade - depois, seguindo o beira-mar, o Passeio de Barceloneta, com praias e bares, leva você à Vila Olímpica.
A Torre de Agbar (numa região bem feia da cidade), é um prédio bem estranho, que parece um supositório, mas aparece em muitos cartões postais da cidade.  À noite, as janelas mudam de cor, formando desenhos.
A cidade também tem um Arco do Triunfo com um lindo passeio arborizado, que vale a visita.


Aí, vamos às obras de Gaudi – no Paseo de Gracia (chiquérrimo), a Casa Milá (La Pedrera) e Casa Batló; ou a Sagrada Familia, a catedral que ficou inacabada, mas que eles ainda pensam terminar, tentando seguir o “estilo” Gaudi. Todas essas obras são apreciáveis por fora - se você quiser entrar, enfrente 2 horas de fila. Ou vá ao Parque Guell, projetado e executado por Gaudi, no seu característico estilo.
(Aqui, um parênteses: Gaudi é Deus em Barcelona. Não ouse desgostar de nada que ele criou – e se você achar que a Sagrada Família parece um castelo de areia molhada, daqueles que as crianças fazem nas praias, ou que tem um aspecto tétrico, guarde para si.)
Barcelona tem avenidas largas e arborizadas, e é bem gostoso passear pela cidade, com seus prédios de arquitetura espanhola marcante. Mas, como toda cidade turística, está, infelizmente, lotada de ……... turistas!!!
Mas, fazer o quê?? Finja que é um deles, e siga em frente!!!!

sábado, 19 de março de 2011

Fettunta










Meu marido vivia se lamentando de saudades da fettunta – que ele não comia desde que saiu da Itália.


Cada vez que ele via um forno a lenha na casa de alguém falava: “precisamos fazer uma fettunta aqui”. Mas nunca dava jeito…….

Até que, aproveitando o “calor intenso” (típico dos nossos Reveillons) que fez em Atibaia na virada do ano, fizemos a famosa fettunta na casa de Silvia e Walter.
Do italiano fetta (fatia )+ unta (untada), a fettunta é feita com pão italiano amanhecido, cortado em fatias que são mergulhadas em azeite com alho picado. Após escorrer, são levemente tostados num forno a lenha – saídos do forno, coloca-se uma fatia de salame milanês em cima.
A fettunta é “cozinha de pobre” – assim como a feijoada (feita com as partes do porco que não eram aproveitadas – pé, orelha, rabo, etc), a polenta e tantas outras delícias, surgiu da necessidade e da criatividade de quem não tinha dinheiro prá comprar “comida boa” para alimentar a família.
Quando sai a primeira fornada, você pega a sua e corre para comer escondido num canto, antes que você perceba que ficou sem e vai ter que esperar a próxima leva. Come-se um, dois , três, …. no décimo você começa a achar que já está exagerando, …. mas você só pára quando vê que aquela montanha de pão que você tinha preparado… já era!!!
Ah, é claro, comida para dias frios, acompanhado de um bom vinho tinto e ao lado de grandes amigos!

Carnaval


Eu juro que nem sabia que existia carnaval em Portugal.
Sempre chegamos aqui em março e esta é a primeira vez, desde então, que o carnaval não cai em fevereiro.
Obviamente que os carnavais daqui e do Brasil são coisas incomparáveis. Nada a ver com escolas de samba e passistas peladas, que é noticia aqui e no mundo todo. Aliás, há muito tempo que bailes em clubes e carnaval de rua foram substituídos pelos desfiles de escola de samba feitos prá televisão e pela muvuca na ruas – barulho, cerveja e muita pegação (será que estou ficando velha?).
Aqui, me lembrei dos carnavais da minha infância, onde a gente se fantasiava e ia prá rua jogar confete no vizinho. (É oficial: estou ficando velha!!)
Em Cascais, me disseram, havia um “corso”, mas faz tempo que parou de sair. Um dos poucos lugares que ainda mantem a tradição é Torres Vedras, cidade perto de Sintra, onde todos saem às ruas “mascarados” (aqui eles não se fantasiam, eles se mascaram), cantando antigas marchinhas, e onde o ponto alto são enormes bonecos que representam pessoas públicas, principalmente políticos – me lembrou o carnaval de Olinda (será que ainda é assim?).
Foi muito gostoso ver as crianças de super-heróis, ninjas, princesas e bichinhos, andando pelas ruas e curtindo suas fantasias.
Vejam que zebrinha fofa é a Carolina da foto.

Castanhas

















A primavera começa no dia 21, mas, depois de 3 meses de calor e muita chuva no Brasil, ainda pegamos um friinho gostoso aqui. Um pouco de chuva – afinal, ainda é inverno – mas já pegamos dias ótimos de sol.
O que me surpreendeu foi ver as barraquinhas de castanhas nas ruas.
Vamos começar do princípio:
Uma época que adoro aqui é quando o inverno vem chegando e as castanheiras ficam cheias – fico ansiosa porque sei que logo logo poderei comer castanhas assadas na brasa. Por € 1 compra-se 6 castanhas. Elas vem num saquinho duplo – num lado vem as castanhas, no outro, você joga as cascas. Uma delícia!! Pena que engorda tanto….
Fim de inverno e ainda se vê barraquinhas nas ruas – a safra foi boa e como sobrou bastante castanhas, os vendedores estão aproveitando o restinho de frio prá acabar com o estoque.
E tome esteira prá dar conta disso………

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Amsterdam













No começo de setembro fomos a Amsterdam - uma capital pequena e encantadora, toda cortada por canais (são 165 ao todo) e com 1281 pontes (algumas levadiças, que permitem a passagem de barcos maiores). É uma cidade plana, abaixo do nível do mar, e tem um sistema de diques e canais que impede que seja inundada.
A maior parte da cidade é de pequenos prédios grudados um ao outro – todos diferentes em largura, altura e formato (uma cidade feita de “lego”), mas que compõe um visual impressionante. Na verdade, esses pequenos prédios de apartamentos ou escritórios parecem se escorar para não cair – não são poucos os que cederam para o lado ou para a frente e só não caem porque o do lado não deixa.
São mais de 6.800 edifícios dos séculos XVI, XVII e XVIII, igrejas, 51 museus (Museu Rembrandt, Museu Van Gogh, Museu Anne Frank e até uma filial do Hermitage russo, entre outros). O Palácio Real estava todo enfaixado, passando por uma limpeza geral e por isso não o vimos direito.
Nada é de um colorido forte, mas a cidade é cheia de cores. Li num blog que você se sente em casa em Amsterdam – e é verdade. Talvez por ser uma cidade acolhedora, civilizada, aberta para todos, cheia de parques, com vida noturna, muita diversidade cultural, cafés e restaurantes.
Os canais são cheios de barcos, casas-barco e até casas flutuantes. Todos bem cuidados, com detalhes charmosos, sempre com muitas plantas e flores. Aliás, como eles tem um inverno rigoroso, imagino que manter e cuidar de flores nesta época seja um grande prazer. Cada janela tem um vaso de flor, cada pedacinho de terra está aproveitado, criando, às vezes, um minúsculo jardim onde até um banco ou cadeiras são colocadas para desfrutar o tempo quente e a vista da cidade.
Os happies e encontros acontecem nos cafés e bares à beira dos canais, mas também nos barcos que vão navegando com as pessoas a bordo bebendo e conversando, jantando, ou até cantando em pequenos barcos perigosamente apinhados de adolescentes (veja vídeo). Vimos também festas de casamento rolando nos barcos.
Amsterdam tem 738 mil habitantes e 600 mil bicicletas, que têm prioridade absoluta no trânsito. É impressionante como todos se movimentam de bicicleta, prá todos os lados e de forma alucinante, na maior velocidade (veja vídeo feito no sábado, quando o movimento era menor). Atenção é fundamental, principalmente para nós, incautos turistas. Muitas bicicletas são enfeitadas (flores ou fitas), pintadas, com bolsas laterais, caixotes ou cestas de palha, banquinhos; algumas puxam ou empurram carrinhos para crianças; as pessoas levam compras, flores, crianças, pastas, quadros; andam de terno, salto alto, minissaia, capas, e até com guarda-chuvas abertos quando chove pouco (não imagino como seja o uso das bikes no inverno ou debaixo de aguaceiros), falam ao celular, conversam com alguém andando ao lado e dão carona. Vimos muitas as bicicletas abandonadas pela cidade – não sei se as pessoas compram novas e largam essas ou não se lembram de onde as pararam e elas ficam esquecidas para sempre.
No sábado, havia muitas pessoas fantasiadas pelas ruas (diabos, coelhinhas, anjos, caras pintadas, etc.) – não sei se estavam indo ou voltando de alguma festa, se era um festival, ou o dia nacional de se fantasiar ou ainda apenas porque era sábado e ainda era verão!!
No fim de semana bebe-se muito. Já na 6ª os mercados vendem caixas e caixas de cerveja, numa reposição louca. E, no sábado à noite, ruas movimentadíssimas, todo mundo fora de casa, jantando e tomando cerveja.
E, é claro, passamos pelo Red Light District, ou o Bairro das Putas. As casas tem luz vermelha na porta, vitrines com cortinas, que ficam fechadas quando se está trabalhando ou abertas, para exposição da mercadoria. Algumas moças (melhor seria “velhas”) muito feias e gordas, mas também muitas mulheres bonitas e gostoooosas (como diria meu marido), em reduzidos shortinhos ou biquínis.
Não vimos os diques, não vimos as famosas tulipas, não vimos moinhos, não compramos tamancos e não fumamos haxixe nos “coffee-shops”, onde é tolerado o consumo consciente da erva (até 5g por pessoa). Mas também não vimos um único pobre ou pedinte nas ruas e curtimos MUITO esta cidade charmosa e acolhedora.


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Costa linda e tempo feio













Alugamos um carro e saímos na 4ª feira passada em direção ao sul, para rever (ou ver novas) as praias da Costa Vicentina (do Alentejo). São praias lindíssimas e pouco frequentadas porque além de estarem em zonas de proteção ambiental, suas águas são geladas – os complexos turísticos estão no Algarve (sul de Portugal), onde as águas são quentes, ajudadas pelas correntes do Golfo do México, que não se lembrou de incluir a costa oeste do país.
Mas, incomum para essa época, havia previsão de chuva para todos os dias, começando já na 4ªf em Lisboa e descendo para o sul. Mudamos os planos e fomos direto pro Algarve onde, não sendo mais temporada, e evitando-se grandes cidades (Faro, Portimão e Lagos), podia-se curtir ainda cidades gostosas e tempo bom. Ficamos uma noite em Olhão e outra em Alvor, pautando nossa viagem pelo céu, indo atrás de onde estivesse claro e fugindo de nuvens escuras. Vimos muitas praias bonitas, enormes condomínios de ingleses aposentados e comemos ótimos peixes em restaurantes pequenos, caseiros e baratos.
Na 6ª, como tínhamos que voltar, começamos a subir a costa do Alentejo e ainda aproveitamos uma boa parte do dia, vendo praias pequenas, com falésias e pedras coloridas, seguindo o caminho pela estradinha junto à costa, antes que a chuva finalmente nos alcançasse e nos seguisse o resto da viagem de volta.
Sabíamos que tinha chovido bastante e que Lisboa tinha tido sérios alagamentos, mas não imaginávamos o temporal que ia cair à noite. Vento forte e maré alta fizeram um estrago enorme no Paredão, o caminho de 3km que bordeja a costa, indo de Cascais até São João do Estoril.
O mar avançou pelo caminho, arrancando as beiradas de pedra, os pisos, as grades de metal, vergou bancos, arrancou portas de aço dos banheiros, destruindo vasos e pias, invadiu bares e restaurantes, e deixou quilos de areia na pista, além de cobrir ou quebrar acessos às praias. A prefeitura já limpou o espaço e retirou o entulho, mas ainda tem que consertar os estragos. Ainda bem que era o último dia da exposição de esculturas (http://www.cascaisatlantico.org), pois muitas obras foram destruídas.
Mas o Paredão já está voltando ao normal e o sol, brilhando de novo.